Alegria, alegria!

Parece bobagem, mas quantas vezes, você, ao vislumbrar aquela paisagem divina, no virar da página de uma revista, não teve a sensação “Eu já estive aqui”? Bem, esta é a impressão que tenho do Rio de Janeiro, desde que dei-me por conta de quem era Antônio Carlos Jobim e a Bossa Nova. E lá se vão alguns muitos anos. Contratempos e prioridades fizeram meu roteiro pela cidade ser postergado. Mas agora já chega, basta! Não passa de dezembro. E isso, não sei se é bom ou ruim: há 15 dias do embarque e começam as articulações na cabeça, pensando quantas vezes retornarei durante o ano e a logística para a mudança. Sim, definitiva.

Loucura? Não. Já conheço o Rio, e muito! Virtualmente. As histórias, as ruas, os prédios históricos, a cultura, a música. E a culpa é deles: Ruy Castro e suas narrativas. Em Chega de Saudade, Carnaval no Fogo, Terramarear, o escritor me deu uma mãozinha na arquitetura de diferentes mapas culturais. Na verdade, funcionaram como verdadeiros passaportes para minhas décadas favoritas da História do Brasil: 50 e 60. Anos dourados, pelo menos para a música. A Bossa Nova, no seu auge, provocou um sentimento gostoso, movimentou conceitos e balançou nossa cultura, ainda que para muitos, não tenha passado de um agito de guris de apartamento, enquanto muito som bacana já existia nos cantos mais remotos desse país continental.

Mas o fascínio se completou mesmo, há dois anos, quando terminei as páginas amareladas e antiguinhas de Villa Ipanema, obra de 1994, publicada em parceria com a livraria-museu-raridade Toca do Vinícius. O modo como surgiu o bairro, seu crescimento, as pessoas que ali residiram, quem eram, me surpreenderam. Por esses motivos, não há como não dizer que Ipanema é, e sempre será especial. Sim, poderei me decepcionar ao colocar meus pés em suas calçadas, mas quando se enxerga com os olhos da História, a gente se teletransporta e está tudo certo.

O livro, assim como Chega de Saudade, do Ruy, é organizado como um dicionário, em ordem alfabética, no qual os organizadores fizeram questão de colocar os principais personagens, locais e achados deste que é o bairro brasileiro mais famoso e caro do mundo. E a história começa lá no século XIX, quando tudo era muita areia, sol e barulho de mar. São textos de ilustres, como João do Rio, Vinícius de Moraes, sobre o cotidiano de Ipanema, sua gente, suas ruas, momentos e peculiariades. Leitura deliciosa e obrigatória!

Quanto à visita real, fora a expectativa, já tenho no coração certezas, e a principal delas é que vai ser muito difícil voltar para casa, ainda que a intenção do retorno à cidade carioca seja em breve. Orientação: evitar levar o iPod para não cair na tentação e na desgraça do shuffle rodar Samba do Avião na hora da aterrisagem:

Show em Montreal, em 1986, com participação de Danilo Caymmi

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