A Senhora Mutante
Há figuras que enchem um palco não pelo brilhantismo de sua carreira musical, mas por toda sua trajetória de vida e capacidade de fazer uma platéia inteira ficar hipnotizada! E é assim que funciona com Rita Lee!
Prestes a completar 60 anos de existência e de muito rock, a cantora entrou de mansinho no palco do Bourbon Country, cantando “No escurinho do cinema…”. Aplausos e assobios! O vermelho de seu cabelo, sua voz e forma física denunciam que a vovó da música brasileira continua mais rockeira do que nunca!
A comunicação com o público porto-alegrense veio em seguida, após a terceira música:
- Gente, obrigada por terem vindo! Só vocês mesmo para estarem aqui em um domingo. Saí da minha casa, com meus bichinhos para estar aqui hoje. Que barato porque vocês ainda me pagam para isso – disse, arrancando risos da platéia.
Rita veio a Porto Alegre divulgar Biograffiti, um show comemorativo aos seus 40 anos de carreira. No palco, Rita apresentou clássicos como Lança Perfume, Baila Comigo, Doce Vampiro ao lado do guitarrista e seu filho Beto Lee (que toca muito mesmo!), e do seu marido Roberto Carvalho, que completa o dueto de guitarras com Beto. O show Biograffiti foi lançado em quatro DVDs pela gravadora Biscoito Fino. Para quem não conseguiu assistir ao show em Porto Alegre (ingressos esgotados para os dois dias de apresentação!), é uma ótima pedida!
Durante o caminho para redação, fiquei pensando: o que vou escrever sobre Rita Lee? Ela é um monstro! O sorriso e voz dos Mutantes, personagem importante do Tropicalismo, a mulher que insiste em acreditar no rock e na sua música como ninguém, e eu estava a dois metros dela! Parece coisa de fã, e até sou. Mas não é o caso. Rita é um ser mutante mesmo, como ela mesma canta. Um ser que contagia um ambiente com sua música e astral, que domina um público e não manda recado: ela simplesmente faz e diz o que pensa através da sua música!
Matéria publicada no Blog VOLUME no clicRBS.
Raquel Carneiro

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