novembro 17, 2011

Alegria, alegria!

Parece bobagem, mas quantas vezes, você, ao vislumbrar aquela paisagem divina, no virar da página de uma revista, não teve a sensação “Eu já estive aqui”? Bem, esta é a impressão que tenho do Rio de Janeiro, desde que dei-me por conta de quem era Antônio Carlos Jobim e a Bossa Nova. E lá se vão alguns muitos anos. Contratempos e prioridades fizeram meu roteiro pela cidade ser postergado. Mas agora já chega, basta! Não passa de dezembro. E isso, não sei se é bom ou ruim: há 15 dias do embarque e começam as articulações na cabeça, pensando quantas vezes retornarei durante o ano e a logística para a mudança. Sim, definitiva.

Loucura? Não. Já conheço o Rio, e muito! Virtualmente. As histórias, as ruas, os prédios históricos, a cultura, a música. E a culpa é deles: Ruy Castro e suas narrativas. Em Chega de Saudade, Carnaval no Fogo, Terramarear, o escritor me deu uma mãozinha na arquitetura de diferentes mapas culturais. Na verdade, funcionaram como verdadeiros passaportes para minhas décadas favoritas da História do Brasil: 50 e 60. Anos dourados, pelo menos para a música. A Bossa Nova, no seu auge, provocou um sentimento gostoso, movimentou conceitos e balançou nossa cultura, ainda que para muitos, não tenha passado de um agito de guris de apartamento, enquanto muito som bacana já existia nos cantos mais remotos desse país continental.

Mas o fascínio se completou mesmo, há dois anos, quando terminei as páginas amareladas e antiguinhas de Villa Ipanema, obra de 1994, publicada em parceria com a livraria-museu-raridade Toca do Vinícius. O modo como surgiu o bairro, seu crescimento, as pessoas que ali residiram, quem eram, me surpreenderam. Por esses motivos, não há como não dizer que Ipanema é, e sempre será especial. Sim, poderei me decepcionar ao colocar meus pés em suas calçadas, mas quando se enxerga com os olhos da História, a gente se teletransporta e está tudo certo.

O livro, assim como Chega de Saudade, do Ruy, é organizado como um dicionário, em ordem alfabética, no qual os organizadores fizeram questão de colocar os principais personagens, locais e achados deste que é o bairro brasileiro mais famoso e caro do mundo. E a história começa lá no século XIX, quando tudo era muita areia, sol e barulho de mar. São textos de ilustres, como João do Rio, Vinícius de Moraes, sobre o cotidiano de Ipanema, sua gente, suas ruas, momentos e peculiariades. Leitura deliciosa e obrigatória!

Quanto à visita real, fora a expectativa, já tenho no coração certezas, e a principal delas é que vai ser muito difícil voltar para casa, ainda que a intenção do retorno à cidade carioca seja em breve. Orientação: evitar levar o iPod para não cair na tentação e na desgraça do shuffle rodar Samba do Avião na hora da aterrisagem:

Show em Montreal, em 1986, com participação de Danilo Caymmi

novembro 9, 2011

Aquela velha canção

Mudar de endereço, cortar (leia-se repicar!) e tingir os cabelos, arrumar um emprego novo a cada trimestre, passar um tempo na praia, sempre em janeiro. Quem não tem um jeito de registrar aquela passagem de fase na vida? Ainda cultivo um medo saudável pelo mês de julho e anos ímpares. Grandes e importantes decisões aconteceram nesses perídodos fatídicos, tanto para o bem, quanto para o não tão bem assim…

E igual à capítulos de novela, a trilha do roteiro da vida não é a gente que escolhe. De repente, aparece quando os créditos do filme do Almodóvar estão subindo, quando se está no ônibus procurando uma estação de rádio decente, ou quando toca naquele restaurante de domingo, durante os causos que conta para a melhor amiga. Aí, para tudo, fica-se com o som na cabeça e não há sossego enquanto o Google, ou o pobre vendedor da sessão de CDs da livraria não fizer o milagre de informar qual é a música. Os cheiros das coisas também são potenciais ressucitadores de lembranças. Mas, nada como a música: a imagem de um momento vem na cabeça na hora! Acontece comigo desde que ganhei meu primeiro vinil, Bad, de Michael Jackson, aos 5.

E fazendo um comparativo dos índices de artistas e suas trilhas marcantes que embalam meu drama mexicano, Marisa Monte é unânime. E precisaria listar muito, tudo aquilo que registrei por culpa de suas canções. E foi ouvindo O Que Você Quer Saber De Verdade, álbum novo, que automaticamente já o intitulei: o som do meu final de ano, com aquele gosto de tudo-o-que-quero-para-2012-amém.

Falar com imparcialidade da criação de um artista quando se acompanha sua trajetória, não dá certo. Cada letra, arranjo, acordes, em determinados locais, parecem ter uma razão de ser e a gente já explica os porquês, como se fosse nosso. Em entrevista no seu site, ferramenta da qual utiliza para a divulgação do novo material, Marisa diz que esté é um trabalho conceitual e intimista, diferente de tudo que já realizou. A produção também é assinada por Dadi, seu fiel escudeiro e lenda da Cor do Som Novos Baianos, e conta com a participação belíssima de Gustavo Santaolalla (Unplugged Julieta Venegas), nas mais diferentes cordas, desde o violão 12 até cítara.

Canções de tanta propriedade, que falam dela, e ao mesmo tempo, de mim e todo mundo. Uma questão de sintonia, de momento e porque era pra ser.  Quem ainda não tem uma música sazonal pra chamar de sua, basta ficar atento aos pequenos gestos, as situações simples, ao ruído aquele, lá distante…que pode te pegar no abrir dos olhos até o recostar da cabeça no travesseiro.

julho 21, 2011

Laiá, laiá do dia…

Não precisa ser neste momento
Não tem pressa nem asssodamento
O mundo não se fez num dia, nem numa semana
Nem mesmo Deus criou tudo de um gesto
Fez o bem veio o mal
Fez o resto
A calma é a virtude mais sábia
E a mais limpa e bacana

Com cuidado e com perseverança
As maiores alturas se alcançam
O túnel mais longo tem sempre uma luz lá no fim
Pode ser amanhã, mês que vem,
Tanto faz demorar um tempão
Ou um tempinho assim
Mas quando você não se quiser mais
Se dê um pouquinho pra mim

julho 21, 2011

Sapatos bicolores e novas histórias.

Na fabriqueta que tece minhas lembranças, a música é a grande engrenagem. Assim como o olfato, ela me faz buscar aquilo que nem no fundo do baú eu sabia que estava. Em muitas ocasiões, lugares diversos, situações que já vivi, sempre ouve uma canção que sublinhou o minuto. E marcou aquela simples passagem, nem que fosse para o mesmo, para o antigo ou para novos ares. Sinônimo de releitura ou virada na página. Quem não sentiu um som ou perfurme que fez lembrar algo marcante?

Minha semana iniciou às 2h da manhã de domingo, no estúdio da Rádio Gaúcha, com o som Pra Gente Fazer Mais Um Samba, de Wilson das Neves. Só de pensar nele, lembro dos olhos malandros me fitando, quando lhe perguntei, em 2008, se estava preparado para subir no palco do Bar Opinião, com a Orquestra Imperial:

- Preparado, hehe…Vambora!

Paixão imediata pelo conjunto da obra. Sorriso claro, olhar sereno, calça de prega alinhada, sapato reluzindo, camisa lisinha, cinto e chapéu na cabeça, daquele jeito…viradinho para o lado. Vontade de ficar perto, arrancando aos poucos, toda a história da música brasileira que com suas baquetas construiu. Ah, não precisou…Estar ali, já me bastava. Um momento de encanto para minhas recordações.

E não é que, Pra Fazer Mais Um Samba Pra Gente, vira mais uma folha do jornal da minha vida? Nova fase em tudo: ideias, pensamentos, planos, comportamentos, metas, olhares. Hora de usar meus óculos, pela primeira vez, com lentes limpas! Momento de cair na real e se permitir ser feliz, dando me conta do que realmente sou, e posso. Tá na hora de vestir os sapatos bicolores e traçar o passo certo na avenida. E já traço. Com a serenidade de Wilson, pois ele sabe das coisas.

julho 7, 2011

Tranquilo.

Obra prima de Kassin, compositor, músico. Artista, um artista! Adoro os acordes com “wah, wah”, hehehe

Tranquilo
Levo a vida tranquilo
Não tenho medo do mundo
Não vou me preocupar
Tranquilo
Levo a vida tranquilo
Não tenho medo da morte
Não vou me preocupar
Que passe por mim a doença
Que passe por mim a pobreza
Que passe por mim a maldade, a mentira e a falta de crença
Que passe por mim olho grande
Que passe por mim a má sorte
Que passe por mim a inveja, a discórdia e a ignorância
Tranquilo
Levo a vida tranquilo
Que me passe
A doença que me passe
A pobreza que me passe
A maldade que me
passe
Olho grande que me passe
A má sorte que me passe
A inveja que me passe
A tristeza da guerra
Tranquilo
Levo a vida tranquilo

junho 20, 2011

Magrela Fever

Lindo encontro durante o Grêmio Recreativo com ARNALDO ANTUNES, na MTV.
Dá-lhe CURUMIN e PEPEU GOMES:

junho 20, 2011

Financiamento coletivo da cultura

Quando escrevi meu trabalho de conclusão para graduação sobre Marketing Cultural, utilizando o Santander Cultural como case, achei fantástico ler sobre o comprometimento e envolvimento de outros países com a cultura. Não me refiro somente ao papel do governo e sua importante postura na criação de políticas de incentivo, mas principalmente ao envolvimento do cidadão, ciente de que é uma ferramenta fundamental na construção de uma sociedade mais crítica, sensível, humana. Receber incentivos apenas de orgãos públicos é uma longa via burocrática a se percorrer. Possível, mas morosa e muitas vezes injusta, pois se tratando de promover a arte, sabendo de seu papel transformador, a maioria dos projetos, e muitos deles riquíssimos, chegam apenas à gavetas de gabinetes.

Em cidades como Nova York, o cidadão tem o direito de tornar-se um pouquinho dono do Teatro Municipal através de doações de quantias simplórias. De espectador, ele se torna uma espécie de mini acionista. O gesto é tão usual quanto comprar pão ou jornal, e este cidadão sabe que as melhorias e desenvolvimento culturais só ocorrerão porque é parte atuante disto.

Cada vez que vejo a propaganda na TV, com Dona Eva Sopher pedindo para que o gaúcho tenha sensibilidade e apoie o término do Espaço Multipalco, ao lado do Theatro São Pedro, sinto doer. A campanha já se prolonga há anos…Quem sabe meu filhos, netos já nasçam em uma sociedade onde cada um saiba que a arte e seu cultivo são tão essenciais quanto fazer as coisas mais triviais do cotidiano?

Sem arte, não há reflexão. A criatividade não frutifica. A  imaginação se esvai.

maio 5, 2011

O efeito Chico


O bloco Mulheres de Chico. Foto: Márcia Moreira

Coisa boa acordar cedinho e bater os olhos em reflexões interessantes! Acabo de ler um texto bem bacana de Lauro Lisboa Garcia, publicado em  O Estado de São Paulo, sobre o quão significativo é para uma carreira musical gravar canções de Chico Buarque, ou quiçá dividir os microfones com o próprio, num disco só seu.

O sonho de ter o brilhantismo do malandro é compartilhado por todas, desde cantoras consagradas até aquelas que acabaram de entrar no mercado da chamada MPB. Elas querem Chico e ter seu nome em um disco funciona como carimbo de cartório, como free pass, um grande selo de qualidade.  É algo mais ao menos assim: “Se Chico deu a benção, então eu posso”. Evidente: uma honra!

No entanto, acho que essa troca de ideias, composições e avais são importantes, essencialmente para o próprio Chico! O compositor, a cada novo trabalho, busca reinventar-se. E para ele os anos 60 e 70 ficaram lá, bem longe…

Ao ler esta matéria de Lauro, lembrei uma cena do filme Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil, no qual Chico nem ao menos lembra a letra de A Banda e outros de seus clássicos que, ainda hoje, são cantarolados nos bons botecos país a fora. Não somente para ele, como também para Caetano Veloso, os sucessos que os alçaram mitos da música brasileira passaram, assim com a banda…

E chega ser impressionante como ambos não cultivam certo apego a essas composições. Afirmam até que, após “aquela fase”,  fizeram canções muito melhores do que Roda Vida e Tropicália. Concordo! E vão além: gostariam que o público realmente ouvisse e se permitisse conhecer realmente suas criações, não se limitando apenas ao saudosismo dos festivais. Um tempo bom, um tempo brilhante…mas que não volta!

abril 26, 2011

Para ouvir e deixar fluir…

Embora esteja com um cast até interessante (confesso que as atrações do Palco Sunset me despertam mais),  compraria um ingresso vip para o Rock In Rio 2011, apenas para ver o encontro de  MILTON NASCIMENTO e ESPERANZA SPALDING. Imagino, defitinivamente, emocionante!

PONTA DE AREIA:

abril 25, 2011

Bom dia!

Para começar o dia com o astral nas nuvens, a música de bom gosto e cheia de simpatia de MAÍRA FREITAS:

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